sábado, 20 de dezembro de 2014
Expurgo.....
Dos presentes que recebemos, muitos jamais deveríamos ter aceito.
É sobre maturidade,presentes, e erros que desejo falar. Mais para minha própria paz e existência, do que para explicar ou mirar em alguém.
A grande sacada da maturidade tem dessas coisas. O tempo passa e percebemos com clareza a tranquilidade de não necessitar explicar mais nada a ninguém, passou, perdeu o sentido.
O sentido de "explicar" reside na necessidade da convivência, no apego das relações. Quando não se deseja mais nada, nem conviver, nem ter por perto, nem mesmo amar mais o ser.
Expurgar, diferente de explicar,é já estar livre do apego da convivência, não existe mais sentido ou necessidade das explicações, é o último ato.
A total libertação,uma nova fase ....
Vamos ao ano de 1993!!!
Voltar no tempo dói,mas é preciso, assim como detalhar.
Ano complexo, aquele ano em que seu mundo amoroso desaba, e o melhor para energizar, recomeçar é praia.
Praia é tudo!!! Mar tem todo este poder, nos confins da terra então, é pura renovação.
Assim estava eu, coração despedaçado, querendo mais racionalizar sobre mim, o mundo,a vida...
Foram dias ótimos, quinze na realidade, uma maravilha para descansar.
Essa era a minha realidade, formada recente, o emprego que pedi a Deus, tudo maravilhoso, com exceção do pequeno detalhe amoroso.
Como diz Paulo Coelho: "O diabo mora nos detalhes..."
Se faz necessário detalhar minha vida amorosa, para explicar o contexto do que vou relatar.
A desilusão da nossa alma pode afetar outras vidas, e assim aconteceu...
No estado onde estava, alguns parentes, e um em especial estava com problemas sérios.
Sabe aquele parente que nunca lembra de você, nem de seu nome, nem de sua existência, e do nada te escolhe como ouvinte, eu deveria ter fugido desta conversa.
Não fujo de nada, de conversas tensas,muito menos.
Lá fui eu caminhar na praia com o dito cujo, enquanto o mesmo confessava ter uma caso extra conjugal fazia muitos anos, que não suportava a esposa, detalhes, detalhes e mais detalhes.
O que fazer com tudo aquilo, nada fazia muito sentido.
Eu ouvi, ouvi e não parava de dizer: Conte para sua esposa!
Repeti esta frase centena de vezes, conte a ela, não é justo, são décadas de casamento.
Ouvi tanto, pedi tanto, aquelas confissões eram muito sérias, e por total imaturidade, brinquei....
Eu, minha culpa, e paguei por esta culpa um preço enorme, brinquei, achei que tudo aquilo não era sério, era só um desabafo de alguém entediado com a vida de casado.
Brinquei: Fala sério, depois de tantos segredos revelados, só me falta você estar apaixonado.
Resposta: Sim, estou, ela a mulher da minha vida e eu quero que você a conheça.
Eu, eu? O que eu tinha a ver com aquilo?
Nada!!!
Tudo era tão surreal, que apostei uma caixa de vinho alemão. Vinho alemão em 1993 era o mais longe que se poderia chegar.importado, complicado de se encontrar.
Apostei na coragem dele de se posicionar, apostei na verdade, apostei para sair daquela conversa horrenda, para acabar com aquela caminhada na praia.
Aquele ser era alguém de que não se espera detalhes da vida pessoal, financeira, sexual, ou seja lá de que ordem.
Sei lá por qual razão fui destinada a ser ouvinte deste relato, a mim foi confiadas as inúmeras ligações para meu local de trabalho.
Pensava deixar na praia aquela confissão de adultério, afinal, não me dizia respeito, não era meu pai, não envolvia minha vida.
Na realidade, eu não queria ter escutado jamais, era o pai da minha melhor amiga, era um parente próximo, o que fazer.
Hoje, eu seria muito grosseira, diria a ele para resolver seus problemas, como tendo idade para ser meu pai, eu posso ser sua conselheira?
Não aceito esta meia dúzia de garrafas de vinho que você trouxe junto com a tal mulher.
Foi bem inteligente de sua parte, ouvir a brincadeira, fazer dela algo sério,usar como desculpa para apresentar a dita cuja.
Com que direito você joga seu casamento fora, sua vida e seu destino e me envolve nesta "M".
Com que direito?
Eu te pergunto, com que direito você confessa a sua esposa seus casos e suas sujeiras e me envolve como sendo sua protetora.
Com que poder você traz a sua amante, e a apresenta como minha amiga.
Amiga?
Como assim? Como poderia eu ser amiga de alguém que nem sei quem é?
Minha culpa,minha imaturidade, minha ignorância não me perceber parte da desculpa.
E assim foi, saí deste teatro como sendo a culpada dos casos que jamais testemunhei.
Sendo a "amiga" da amante que jamais conheci bem, duas ou três conversas num fim de semana?
E o peso desta traição nas minhas costas.
Você sabia que nunca mais fui bem tratada por primos e tios? Que amarguei as diretas e indiretas, as grosserias de frases ditas a meia voz.
Que sua filha era a minha melhor amiga, a madrinha que perdemos por seu egoísmo.
Claro que não, sua preocupação é ser o perfeito, com o seu baú de mentiras.
E por todas as minhas perdas, por toda injustiça eu te liberto, perdoando do fundo da minha alma.
Escrevendo só cito pequenos detalhes, não falo dos desaforos, das inúmeras ligações, e de como você foi grosseiro .
Não falo de suas mentiras,de suas meia-verdades,para que,passou e nada traz de volta o perdido.
Escrevo como minha catarse, quero parar de sonhar com vocês, desejo que o Universo me liberte do parentesco, do carma, da vivência desta lembrança.
Eu te libertei e te perdoei faz um tempo, quero agora te abençoar.
Paguei caro por estas seis garrafas de vinho alemão,muito mais caro será não perdoar.
Alguns presentes não deveriam ser aceitos, não era presente, era parte do jogo.
De minha parte, não era aposta tio, era para cessar a audição.
Paguei e aprendi, nunca mais apostei nada nesta vida...
Expurgo: Do verbo expurgar, ou seja; eliminar aquele ou aquilo que é prejudicial. pode ser também corrigir ou eliminar defeitos em impurezas.
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Quem sou eu
- Cristina Kapp
- Eu sou.... Viver é algo maior que todas as questões existenciais que costumamos pontuar. Buscar a felicidade é complicado,relações são dificeis,e assim vamos diariamente desculpando nossa covardia. Eu sou alguém que deixou de lado o complicado e a desculpa. Sem os freios limitadores da existência. Vivo intensamente o Hoje. Amanhã se ele chegar,eu penso.... O hoje bem vivido me basta!
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